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Escrito por Rogerio Raffanti   
21-Jan-2008

EM TEMPOS DE CAOS AÉROS E TRABALHO REMOTO, O STREAMING DE VÍDEO NUNCA ESTEVE TÃO EM ALTAS NAS EMPRESAS

pag60-61.jpgSábado, 13h45. “Começa o festival em Cidade Jardim”, anuncia o locutor do Jockey Club de São Paulo, ao abrir os páreos do fim de semana no hipódromo.

Terça-feira, 11 da noite. “Não há saída, só ruas, viadutos e avenidas”, canta a banda Isca de Polícia durante um show no bar Grazie a Dio!, no bairro paulistano da Vila Madalena.

Domingo, 9 horas. Com o tema anemias, começa na Rua Bela Cintra, em São Paulo, a primeira aula do curso da Medcel, que prepara candidatos à residência médica.

Não foi preciso pisar em nenhum dos três lugares citados aí em cima para acompanhar, ao vivo, o que aconteceu por lá. Estava tudo no PC. De eventos e shows a palestras e treinamentos, o streaming de vídeo deixou de ser um coadjuvante nas empresas brasileiras. O maior apelo está numa combinação irresistível: ganho de tempo e de dinheiro — ainda mais em tempos de caos aéreo e no auge do trabalho remoto.

No streaming, a transmissão é do tipo multicast, uma associação ao broadcast usado pela TV, em que os sinais são distribuídos para vários receptores ao mesmo tempo. Dá para ser ao vivo, em horário marcado, ou sob demanda — no estilo consagrado pelo YouTube e pelo Joost. No streaming ao vivo, há um delay médio de 20 segundos (na TV convencional, o atraso é de 3 segundos), que é o tempo gasto entre a captura e envio das imagens para o servidor e a sua transmissão pela web. Também é comum a combinação dos dois tipos de streaming: os vídeos transmitidos ao vivo são gravados e armazenados num servidor, onde ficam disponíveis para acesso a qualquer hora.

pag62-63.jpgNo Jockey Club de São Paulo, as transmissões das corridas de cavalos pela internet têm um papel fundamental dentro do projeto do presidente Márcio Toledo de fazer do turfe um esporte popular. “É o principal caminho para trazer novos apostadores para o Jockey”, diz ele. Além de permitir que as apostas sejam feitas pela web, o Jockey transmite as disputas dos páreos ao vivo, nos finais de semana e nas segundas-feiras à noite, para que o público possa acompanhar os resultados. As imagens são captadas por 12 câmeras espalhadas pelo hipódromo, enviadas para um servidor com placa de captura de vídeo, no qual é feita a codificação dos sinais — com o Windows Media Encoder. Depois, seguem para a LocaWeb, por meio de um link dedicado da Telefônica (com backup do Ajato) de 1 Gbps. A LocaWeb distribui a transmissão ao vivo e ainda armazena os vídeos, gravados automaticamente, que podem ser acessados pelo site www.jockeysp.com.br. “Esse banco de gravações das corridas é importante porque as apostas são feitas com base em prognósticos”, explica Toledo.

Segundo ele, o volume de apostas aumentou 11% nos últimos três meses. Num único final de semana de agosto, o movimento chegou a 2,4 milhões de reais, somando as corridas de São Paulo e do Rio de Janeiro, que também são transmitidas ao vivo pelo site. Boa parte desse crescimento vem da participação de novos apostadores, atraídos principalmente pela internet.

Show ao vivo

Para o bar Grazie a Dio!, o streaming de vídeo é uma ferramenta de divulgação — especialmente para quem mora fora de São Paulo. Seu proprietário, o italiano Maurizio Longobardi, começou a gravar, há um ano, alguns shows realizados no bar para colocar no MySpace. Até que fez uma parceria com a Usina3 Interativa, que pretendia lançar um portal para a música independente. Batizado de Podfestival, entrou no ar no início de junho, com a transmissão ao vivo de um show do Grazie a Dio!, que recebeu até 390 acessos simultâneos, inclusive de outros países.

Desde então, todos os shows das terças-feiras são transmitidos ao vivo pelo www.podfestival.com, que também mantém os vídeos gravados disponíveis para o acesso sob demanda. “É uma forma de divulgar o bar e os músicos que se apresentam aqui, a um custo relativamente baixo”, diz Longobardi. Para captar as imagens, a Usina3 utiliza uma estação móvel, composta por três câmeras de vídeo profissionais, uma mesa de corte e um PC equipado com placa de captura de vídeo e o software Windows Media Encoder. Do bar, os sinais — digitalizados e comprimidos — são enviados para um servidor de streaming da Usina3, por meio de uma conexão de 2 Mbps do Net Vírtua. Com capacidade para até 2 mil acessos simultâneos, esse servidor faz a distribuição da transmissão a partir do portal Podfestival.

 

Atualizado em ( 21-Jan-2008 )
 
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